O Projeto

Igualdade Racial na Mídia

O Instituto de Juventude Contemporânea (IJC), entidade que há 12 anos desenvolve ações que objetivam a superação das desigualdades que são impostas aos/as nossos/as jovens e à sociedade, a partir de experiências que visam entender e pesquisar a juventude, no Ano Internacional dos Afrodescendentes (2011), renova o seu compromisso com a promoção da diversidade ético-racial que forma a população brasileira e anuncia um programa de discussão de raça e etnia na comunicação.

A promoção da igualdade racial no Brasil é um desafio, constituído de um processo formativo de mão dupla: de entendimento e de superação. Especialmente na comunicação, queremos desenvolver junto a profissionais e gestores da área o entendimento da necessidade de desencaminhar a tendência de vulgarização de determinados grupos sociais. Com isso, expressamos a necessidade de engajamento da sociedade para o enfrentamento do racismo, especialmente nos meios de comunicação.

No jornalismo, segundo o CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades), os principais veículos impressos no período de 2001 a 2008 apresentaram discurso anticotas e políticas de ações afirmativas. Segundo análise da W.K. Kellogg Foundation (2009) há desvantagem aos negros no que se refere às possibilidades de exposição de idéias na mídia. Na televisão, há uma pseudo-reapresentação do negro, induzindo ao raciocínio de que o “negro-negro” seria apenas um elemento residual em nosso país, fadado ao desaparecimento pelo próprio processo de miscigenação. Nas novelas, por exemplo, mais de 90 % dos personagens são brancos, quando estas não se passam no período colonial. Por outro lado, comumente a população negra é protagonista nos meios de comunicação de massa a partir de suas condições de moradia precárias, como habitantes do lócus do tráfico de drogas – ao estigmatizar as favelas – ou como movimento social, de forma precária. Esta aparição nega o histórico de submissão condicionado aos negros e não são raras as ocasiões em que jovens negros são criminalizados nos noticiários, especialmente os policiais.

Nessa cultura dominante, a juventude negra é tratada como um problema social. Essa idéia explica as variadas formas de repressão e detenção que a sociedade impõe aos jovens empobrecidos, que em sua maioria são negros, evidenciando o racismo arraigado na sociedade.

O IJC defende uma comunicação pautada no respeito, na ética e na coletividade, responsabilidade que cabe aos produtores de informação e entretenimento. Entendemos que no Brasil há uma diferenciação racial e apostamos enfrentá-la através da discussão pública e do apoio às iniciativas da sociedade civil.

Portanto, por oportunidade do Plano de Ação Conjunta entre o Brasil e os Estados Unidos – JAPER (em inglês) e em parceria com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e a Brazil Foundation, pretendemos levantar a discussão sobre os meios de comunicação e as interações sociais destes resultantes, a partir da discussão do lugar ocupado pelas identidades raciais na mídia nacional, especialmente as identidades dos afrodescendentes, apostando no aprofundamento do princípio constitucional de igualdade e cidadania no Brasil.

O que é o Camutuê?

O Camutuê – Comunicação Livre de Racismo é um projeto social que tem o objetivo de incentivar a formação de profissionais da comunicação para a temática raça e etnia, através de um curso  de 100 horas. A proposta do curso é preparar jornalistas, publicitários, radialistas, relações públicas, comunicadores populares e estudantes de comunicação social para a abordagem da dimensão étnico-racial na sua atuação profissional, focando especialmente a promoção da história e cultura afro-brasileira e o combate ao racismo.

Significado de Camutuê:

Segundo o “Novo Dicionário Banto do Brasil”, de Ney Lopes, Camutuê é uma das definições para cabeça (do Quimbundo - Língua do grupo banto, falada em Angola - Kamutue, cabecinha), significa mais especificamente “cabeça dos filhos de santo”, que remete à confluência, circulação de informações e à comunicação, a partir dos cultos africanos. A palavra foi escolhida para título do projeto por representar a diversidade que emerge do campo da comunicação e pela necessidade de afirmar a nossa ancestralidade cultural de matriz africana.

Quem Participa?

Profissionais e estudantes de comunicação, contemplando o jornalismo, a publicidade, o rádio e TV, a relações públicas e a comunicação popular. Pelo menos 50% desse público deve ser formado por negros e negras, levando em consideração também a diversidade de gênero. Selecionaremos profissionais locados em veículos impressos e de rádio e TV, agências de publicidade, assessorias de comunicação e faculdades/universidades, assim como estudantes.

Como funciona o Curso?
O projeto é constituído de 10 encontros formativos quinzenais, entre janeiro e junho de 2012, que oportunizam a troca de experiências e metodologias, provocando a reflexão coletiva das questões étnico-raciais, com carga horária de 100 horas-aula, para 40 profissionais e estudantes de comunicação.

Certificação

O IJC, em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (UECE), oferecerá aos participantes do curso, com pelos menos 70% de participação, certificação de 100 horas na modalidade extensão universitária.

Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA pela Eliminação da Discriminação Racial e Étnica

O Camutuê faz parte do Plano de Ação Conjunta Brasil-EUA pela Eliminação da Discriminação Racial e Étnica (JAPER, em inglês), que é uma parceria constituída entre os governos dos dois países com o objetivo de eliminar da discriminação racial, através do desenvolvimento de políticas que promovem a justiça e a inclusão social de todos os membros da sociedade, especialmente a população negra.

Temas trabalhados:
  • Educação, incluindo igualdade de acesso a educação de qualidade e o papel da educação para conter a discriminação racial e étnica;
  • Cultura e comunicação;
  • Igualdade de proteção da lei e acesso ao sistema legal;
  • Mão-de-obra e emprego;
  • Saúde.