segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

“Jornalista de verdade assume a sua identidade”

A FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas e os 31 sindicatos dos jornalistas no Brasil lançaram, no 18º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação, a Campanha de autodeclaração racial "Jornalista de verdade assume a sua identidade". A iniciativa é assinada em conjunto com a EBC -- Empresa Brasil de Comunicação e tem o apoio da ONU Mulheres -- Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres.

Veja o vídeo:

Comunicação IJC

Camutuê debate o racismo no Brasil e a afrodescendência

O próximo encontro do Camutuê, que acontece nesta quarta-feira (29/02), debate o “racismo à brasileira”. A proposta deste, que é o quarto encontro, é observar como se dá o processo de cristalização das diferenças raciais, estudando os principais conceitos. A convidada desta edição do projeto é a Doutoranda em Educação pela UFC, Juliana Souza, que facilitará o momento.

Outro destaque do encontro será a oficina “Coisário ao Relicário”. A atividade, anunciada no último encontro, que convida os participantes a compreenderem que os valores afro-brasileiros estão presentes em nosso cotidiano, em toda parte. “Por isso, solicitamos que trouxessem um objeto que tenha relação com a afrodescedência na história de vida de cada um. O objeto e a história que ele carregar será o ponto de partida do nosso próximo encontro”, afirma o jornalista Rafael Mesquita, que elaborou a metodologia do encontro junto com a consultora do projeto, Silvia Maria Vieira dos Santos. “E não esqueçam, as influências africanas na formação social brasileira estão por toda parte. Vamos fazer, neste encontro, o exercício de percepção dos saberes e fazeres da população afro-brasileira”, completa Rafael.

Conheça a palestrante Juliana SouzaJuliana possui graduação em Pedagogia com habilitação em Orientação Educacional. Participou do Grupo de Estudos Africanos Segueremó, Casa das Áfricas-SP (2006-2007), concluiu mestrado em Educação pela Universidade Federal do Ceará (2010), atuou nos últimos oito anos como professora das séries iniciais do Ensino Fundamental I em escola que utiliza Sistema Montessori de Ensino. No mestrado pesquisou narrativas, memórias e histórias da população negra da cidade de Carapicuíba-SP, como estas influenciam no processo de formação da identidade e como as ausências dessas narratividades no que denominamos educação formal e informal atuam como um aparato de negação das identidades afro-brasileiras. Tem experiência na área de Educação com ênfase em identidades; afrodescendência; africanidades; movimentos sociais de maioria afrodescendente; educação escolar; e espaços periféricos urbanos.

Comunicação IJC

IJC aprova projeto no Programa Equidade Racial do Nordeste

O Instituto de Juventude Contemporânea (IJC), entidade que há 12 anos desenvolve ações que objetivam a superação das desigualdades que são impostas aos/as nossos/as jovens e à sociedade, aprovou o projeto “Caravanas das Crioulas – Na luta por igualdade” no edital do Programa de Equidade Racial no Nordeste Brasileiro, desenvolvido em ação conjunta pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Instituto Cultural Steve Biko e o Instituto Mídia Étnica (IME).

O Programa, cujo objetivo desenvolver ações efetivas que contribuam para mudanças estruturais no quadro de desigualdades da Região Nordeste, tem como principal foco o combate ao racismo e às desigualdades de gênero.

Foram selecionados 10 projetos de organizações que receberão apoio financeiro e acompanhamento para o desenvolvimento de ações no campo do fortalecimento institucional, sob coordenação da CESE; e 30 militantes, que participarão de curso de formação com o objetivo de qualificar suas atuações na luta pela equidade racial. Esta formação será coordenada pelo Instituto Mídia Étnica (IME) e o Instituto Cultural Steve Biko.
Conheça a Caravana das Crioulas
O objetivo do projeto é formar, em uma primeira etapa, 50 jovens mulheres, de 16 a 29 anos, negras, de cinco bairros (Bom Jardim, Mondubim, Barra do Ceará, Parque Dois Irmãos e Henrique Jorge) em participação juvenil, combate ao racismo e gênero. Na segunda etapa do projeto, as jovens formadas construirão uma campanha de mobilização e combate ao racismo que se chamará “Caranava das Crioulas”. Ao final do projeto, as jovens, a partir da mobilização empenhada, criarão o “Conselho das Jovens Dandara”, como o instrumento de formulação de políticas de combate ao racismo e fortalecimento da cultura afro-brasileira nos bairros onde acontecerá o projeto.

Comunicação IJC

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

História do movimento negro no Ceará é o tema do terceiro encontro do Camutuê

O terceiro encontro do projeto Camutuê – Comunicação Livre de Racismo vai discutir, na noite de hoje (14/02), na Casa Branca do Parque da Liberdade (Rua Pedro I s/n, Parque da Criança, Centro) a História do Movimento Negro no Ceará, com os pesquisadores William Augusto Pereira e Joelma Gentil do Nascimento.

William Augusto Pereira é graduado em Filosofia e Teologia e possui pós-graduação em Planejamento educacional. Atualmente é professor e pesquisador, com trabalhos nas questões raciais, e milita no Movimento Negro Brasileiro (MNU). Ele coordena a Associação Nação Iracema e é representante no Ceará da CONEN - Coordenação Nacional Entidades Negras.

Joelma Gentil do Nascimento também integra o MNU, como coordenadora municipal. É professora da rede pública municipal de Fortaleza, atualmente como Coordenadora Pedagógica da Rede. Possui graduação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e pós-graduação em Lingüística Aplicada.
Sobre o Camutuê

O Camutuê é curso dirigido a profissionais e estudantes de comunicação, focado na temática raça e etnia. O objetivo da formação é incentivar a construção de uma abordagem positiva da história dos afrodescendentes no Brasil e atuar no combate ao racismo.

O projeto recebe certificação universitária pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e é fruto da parceria do Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) com a Brazil Foundation e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O projeto conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Canal Futura.

Comunicação IJC

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

2° encontro traz pesquisas sobre a presença da população negra no Ceará

O segundo encontro do projeto Camutuê – Comunicação Livre de Racismo, realizado no dia 25 de janeiro, discutiu o tema “Existem negros no Ceará?”. A atividade contou com a participação dos professores Hilário Ferreira, mestre em História pela UFC, e Rosa Ribeiro, doutora em educação pela Unicamp.

Hilário e Rosa são precursores da pesquisa e ensino de africanidades no estado do Ceará, especialmente a história das populações negras, através do Grucon – Grupo de Consciência Negra no Ceará, criado na década de 1990 por estudantes e militantes. Os professores afirmaram que a evolução dos estudos sobre a presença do negro no Ceará acontece em 1995, com aparecimento de cursos e publicações influenciados pelo grupo. Com o resultado dessas pesquisas, descobriram que houve uma tentativa, ao longo da história e na própria universidade, de negar a presença do negro no estado. “Foi construída uma representação, por meio de discursos e políticas, construídas ao longo da história do Ceará, na perspectiva de produzir conteúdos mentais da negação do negro”, afirma Rosa.

“A história do negro no Ceará se limitava aos temas escravidão e abolição e, depois de passado o período colonial, negou-se a presença da população negra no estado, justificando que não havia espaço para a mão-de-obra desses”, explica Hilário.

Os primeiros registros da presença do negro estão nas pesquisas produzidas pelo historiador cearense Geraldo da Silva Nobre, que, por pertencer a grupos vistos como conservadores, enquanto associados do Instituto do Ceará, foi recusado como fonte pelos teóricos contemporâneos cearenses e seus registros não foram levados em conta na afirmação da história da população afro-descendente no Estado. De fato, o Instituo do Ceará foi o responsável, através de seus representantes, de denegar a presença do negro. Enquanto exceção, Nobre abriu o precedente para as pesquisas do Grucon, que buscou nos registros do censo da época, pós-abolição, indicativos da população negra cearense. Segundo os dados, os negros no Estado seriam majoritariamente composto por descendentes de congoleses e angolanos, o que fazia predominar as línguas banto e kibundo. Segundo Hilário, “o censo de 1804 mostra um número de negros superior ao de brancos no Estado em muitas vilas, especialmente de negros libertos. Fortaleza figurava no século XIX, portanto, como marcadamente de cultura afro-angolana”.

O positivismo e o darwinismo eram as escolas de pensamento que influenciaram os historiadores da época, que aplicavam idéias de eugenia (ideologia de embranquecimento ou de pureza racial, que culminou no Holocausto), inclusive negando a factual presença negra. “Nós fomos oprimidos até na nossa própria história”, destaca Rosa. Para a professora, deixar de ser preconceituoso significa reconhecer e, posteriormente, trabalhar para o fim dessas atitudes. Ela explica que os profissionais de educação, assim como os historiadores que revisitaram a História Oficial do Ceará para contá-la novamente e provar a presença do negro, precisam atuar contra o racismo e a opressão impostos a população negra. “Quando não assumimos que temos preconceito, estamos escamoteando a verdade”, enfatiza.

A coordenadora pedagógica do projeto, Silvia Maria Vieira, alega que o encontro foi importantíssimo para o entendimento pelos profissionais de mídia participantes do curso de como se deu a presença da população negra no Ceará e seus registros de descendência. Além disso, ela lembra que é necessário assumirmos o combate ao preconceito como uma responsabilidade profissional. “A consciência negra e a afirmação da presença negra no estado é um compromisso de todos, especialmente da escola, da família e dos espaços de formação de opinião, sendo para os profissionais que atuam na comunicação uma exigência de seus códigos de ética laborais”, enfatiza Silvia.

Tráfico interno
Outro aspecto que marcou a presença da população negra no Ceará foi o tráfico interno de escravos, a partir das transações realizadas notadamente com o sudeste, elemento importante para economia da época, segundo o professor Hilário Ferreira.
Esse também será o tema do livro que Hilário lançará no dia 21 de março, no Museu do Ceará, chamado de “Catarina, minha nega, tão querendo te vender”, fruto de dissertação de mestrado.

Comunicação IJC
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