quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

“O racismo é um problema de toda a sociedade e um crime antidemocrático”


IJC abre curso de extensão sobre raça e etnia para profissionais da comunicação com palestra do professor Júlio Cesar Tavares, da UFF

O primeiro encontro do projeto “Camutuê – Comunicação Livre de Racismo” lotou a sala dois do Vila das Artes com a palestra do professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Júlio Cesar Tavares.

Doutor em Antropologia pela Universidade de Austin – Texas e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, Júlio Cesar, desenvolve pesquisas sobre Mídia e Etnicidade. No evento, ele apresentou os elementos que formam o racismo na sociedade e na comunicação brasileira. Segundo o professor, a colonização acabou, mas não estruturalmente. Para ele, o Brasil ainda vive o que chama de colonialidade, entendendo que o racismo, antes de um elemento cultural, aparece de forma estrutural em todas as esferas de organização do nosso povo. “As sombras da escravidão não foram superadas e o racismo deve ser visto como um equipamento da colonização que se consolidou e persiste. Nossa máquina psicológica e cognitiva é essencialmente colonial”, completa Tavares.

Para o professor, a característica colonialista também aparece na comunicação justamente porque nossos profissionais não ultrapassam o modelo de representação comum à sociedade, ou seja, racista. Segundo ele, o profissional de comunicação trabalha a representação da sociedade, a qual é de responsabilidade dele apresentar enquanto notícia, peça publicitária ou fotografia, de forma “mecânica e utilitária”. “Os jornalistas são responsáveis por criar na cabeça do leitor uma realidade, mas essa realidade representada é contaminada pela blindagem cognitiva que ele apanhou na coletividade, que nos chega através de conceitos, muitas vezes colonialistas”, explica.

O pesquisador entende como saída o investimento em várias esferas, especialmente no campo das políticas de ação afirmativa. O desafio inicial seria considerar o racismo como um problema da democracia. “O racismo é corrupção, porque corrompe a ordem democrática. É preciso radicalizar a democracia brasileira e entender que o racismo é um problema de toda a sociedade e um crime antidemocrático”, enfatiza. E esta é para ele uma responsabilidade principalmente do profissional de comunicação, pois é ele que vai levar isso para a população, enquanto formador de opinião.

Muito elogiado pelos presentes, Júlio Cesar falou com os profissionais e estudantes de comunicação participantes do curso por cerca de duas horas, que permaneceram no local até o fim da apresentação, que terminou depois das 22 horas.

Entenda o Camutuê
O curso de extensão universitária, com certificado fornecido pela Universidade Estadual do Ceará, é realizado pelo Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) e tem o objetivo incentivar a formação de profissionais e estudantes de comunicação para a temática das relações étnico-raciais. Os encontros acontecem entre janeiro e junho de 2012, em módulos quinzenais divididos em três grandes temáticas: “Modos de Ver”, “Modos de Interagir” e “Modos de Comunicar”.

O projeto é financiado pelo Plano de Ação Conjunto Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER (em inglês), fruto da parceria da Brazil Foundation com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Canal Futura.

Os textos do professor e indicações de publicações na temática serão disponibilizadas pelo IJC no blog do projeto: www.camutue.blogspot.com.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Formações do projeto Camutuê começam nesta quarta (11/01)

Curso de raça e etnia para profissionais da comunicação recebe o professor Júlio Cesar Tavares, da UFF

O Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) dá início às formações do projeto “Camutuê – Comunicação Livre de Racismo”, curso de raça e etnia para profissionais da comunicação, que traz como primeiro formador o Profº Julio Cesar Tavares, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento será realizado no dia 11 de janeiro, no Vila das Artes, a partir das 18h30.

Júlio Cesar, que é Doutor em Antropologia pela Universidade de Austin – Texas e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, desenvolve pesquisas sobre Mídia e Etnicidade e no evento tratará da temática slogan do nosso curso: Comunicação Livre de Racismo.

Entenda o curso
O Camutuê tem como objetivo incentivar a formação de profissionais e estudantes de comunicação para a temática das relações étnico-raciais, na tentativa de construir uma abordagem positiva da história dos afrodescendentes no Brasil e atuar no combate ao racismo.

O projeto será realizado entre janeiro e junho de 2012, em módulos quinzenais divididos em três grandes temáticas – “Modos de Ver”, “Modos de Interagir” e “Modos de Comunicar”.

Na etapa “Modos de Ver”, trabalhará o ser negro cearense, o movimento negro e a imprensa negra, a construção do racismo no Brasil, as políticas públicas, entre outras temáticas. Na segunda etapa, chamada “Modos de Interagir”, será abordado os meios de comunicação e a sociedade, a mídia pró-ativa e será realizada uma feira de mídia étnica. Já na última etapa, que se intitula “Modos de Comunicar”, os cursistas realizarão o acompanhamento dos meios de comunicação e suas coberturas acerca das questões étnico-raciais, assim como discutirão a elaboração de um projeto em comunicação a partir do que foi discutido e vivido no curso. Este trabalho será pré-requisito para o recebimento do certificado de conclusão.

Selecionados
Os selecionados do curso são formados 75% por negros (pretos e pardos) e 60% de profissionais. O IJC recebeu mais de 120 inscrições de profissionais e estudantes de diversos empresas e universidades do Ceará. As inscrições ocorreram entre novembro e dezembro de 2011 e ao todo foram 50 pessoas selecionadas. O critério de seleção foi prioritariamente voltado para profissionais e pessoas negras, sendo ainda abertas 10 vagas adicionais.

Parcerias
O curso de extensão universitária, com certificado fornecido pela Universidade Estadual do Ceará, é a primeira capacitação técnica no estado dirigida a comunicação e etnicidade. Para a consultora do projeto, Silvia Maria Vieira, “somos privilegiados, pois somos pioneiros na formação profissional em raça e etnia para publicitários, jornalistas, radialistas e outros profissionais da comunicação. Queremos romper com esse universo que criminaliza e repudia a população negra no Ceará, criando um novo modelo de comunicação, livre de racismo”, destaca.

O projeto é financiado pelo Plano de Ação Conjunto Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER (em inglês), fruto da parceria da Brazil Foundation com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Canal Futura.

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