sexta-feira, 29 de junho de 2012

Seminário abordará a mídia e as relações e as questões raciais


O Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) realiza, na sexta-feira (29/06), o seminário “Mídia e as Relações Raciais no Brasil”, que traz como palestrante Luciane Reis Conceição, co-fundadora do Instituto Mídia Étnica uma das organizações que realizou em parceria com a ANDI, a pesquisa sobre a cobertura da imprensa brasileira cerca das questões raciais do Projeto "Imprensa e Racismo".

A análise executada pela ANDI, também em parceria com o Afirme-se, o Geledés e o Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade (CEERT). O projeto foi financiado pelas fundações Ford e Kellogg. A pesquisa apresentará dados preliminares, especificamente as tendências percebidas na pesquisa sobre a cobertura de cerca de 40 jornais nacionais e regionais, entre 2006 e 2011, no que se refere às questões raciais. Os dados iniciais serão o fio condutor de debate sobre a construção da comunicação brasileira diante do tema.

O seminário

O evento é a etapa final do projeto Camutuê – Comunicação Livre de Racismo, curso que abordou a cobertura da grande mídia em relação à questão racial, oportunizando o conhecimento e a difusão das políticas de igualdade racial na sociedade brasileira, em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce).

O seminário, que também traz a apresentação dos resultados do curso, acontece no Campus do Itaperi, da Universidade Estadual do Ceará - UECE, que oferecerá certificação para os participantes. A atividade acontece a partir das 18h, no auditório Aluísio Cavalcante, do Centro de Estudos Sociais Aplicados – CESA, situado na Avenida Paranjana, 1700, Itaperi.

Luciane Reis Conceição

É publicitária, foi coordenadora pedagógica do Centro Acadêmico de comunicação da Universidade Católica do Salvador. Como Publicitária atuou com assessora de comunicação da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN, através da atualização do site e clipagem de matérias e oportunidades profissionais e acadêmicas para os mesmos, assessora da Secretaria Municipal da Reparação-Semur, atualmente presta consultoria pra o governo do Estado da Bahia em gestão participativa e mobilização social. Co – fundadora do Instituto Mídia Étnica fundado em 2006 e foi colaboradora também na área de assessoria de imprensa pra a Conen - Coordenação Nacional de Entidades Negras onde pautou a mesma e suas atividades nos meios de comunicação, atua na comunicação da Central Única dos Trabalhadores - Ba. Contribui com o Site Ciranda Afro pautando a comunidade negra na Bahia.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Seminário "Mídia e as Relações Raciais no Brasil"





O Instituto de Juventude Contemporânea - IJC em parceria com a Universidade Estadual do Ceará - UECE convida você para participar da última etapa do projeto: Camutuê - Comunicação Livre de Racismo, o seminário "Mídia e as Relações Raciais no Brasil."
O evento acontecerá no dia 29 de junho de 2012 das 18h às 22h no auditório Aluisio Cavalcante do Centro de Estudos Sociais Aplicados - CESA, situada na Av. Parajana, 1700, Campus do Itaperí. Fortaleza/Ce.





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Regulação da internet é alvo de dilemas 

 Mônica Mourão - para o Observatório do Direito à Comunicação

A regulação da internet é um desafio que tem suscitado diversas polêmicas. O anonimato da rede pode ser usado para a prática de “cibercrimes” ou é essencial para a privacidade dos cidadãos? Como equilibrar o direito à liberdade de expressão e o direito à dignidade de grupos e pessoas vítimas de discriminação? Os direitos autorais precisam ser reformulados para dar conta da liberdade de acesso a informações na rede?

(Lei também: Marco civil da internet busca consenso para ser aprovado)

Nem todos esses dilemas já têm soluções apontadas pela atual proposta de marco civil da internet, o Projeto de Lei (PL) nº 2126/2011 . Ele se limita a tratar dos direitos e garantias do usuário, provisão de conexão e de aplicações de internet e atuação do poder público. Para Marialvo de Castro Pereira, secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, as lacunas dão força ao projeto. “Primeiro, é preciso definir as responsabilidades de cada um dos atores. A partir daí, teremos uma uniformização de responsabilidades e conceitos que permitirá um desenvolvimento mais célere de outros temas”, acredita. Já o professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas Pedro Paranaguá defende que “questões polêmicas podem e devem ser dirimidas ao longo da discussão na Câmara. É meu entendimento pessoal de que pode ser complicado deixar a regulamentação de questões polêmicas para depois da aprovação da lei”.

Alguns pontos importantes do projeto são a garantia da neutralidade da rede (que permite que todas as informações que trafegam na internet sejam tratadas da mesma forma e depende de posterior regulamentação), da privacidade dos usuários e da não responsabilização de terceiros pelo conteúdo publicado. Assim, se aprovada a proposta, o servidor não teria responsabilidade sobre os conteúdos publicados por um usuário, a não ser que se negue a cumprir determinação judicial para retirá-los do ar.

O marco civil da internet nasceu como reação aos projetos que partiam de uma perspectiva punitiva. Um deles, o PL nº 84/99 , cujo relator foi o atual deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acabou conhecido como “AI-5 Digital”. De autoria do deputado Luiz Piauhylino (PSDB/PE), a proposta dispõe sobre os crimes cometidos na área de informática e suas penalidades. Para Azeredo, o apelido dado ao PL é fruto de “ignorância histórica”. Segundo ele, “o projeto também nada tem a ver com PIPA ou SOPA [dois projetos estadunidenses], que tratam de direitos autorais na internet. É uma mentira dizer que o PL 84 criminaliza práticas como downloads. Também é mentira dizer que estamos ‘censurando’ a internet. A proposta nada diz sobre isso”, argumenta o deputado.

O projeto recebeu forte oposição da sociedade civil, que, em 2009, organizou uma petição pública contra o PL. Atualmente, ela conta com mais de 360 mil assinaturas, de acordo com o blog “Mega Não” (http://meganao.wordpress.com), cujo título corresponde a uma das expressões usadas na campanha on line contra o PL.

Marialvo Pereira de Castro acredita que “começar pela legislação penal é ruim. Parte da ideia de restringir, o que é desproporcional. O número de práticas ilícitas é insignificante perto do todo”. No entanto, ele aposta que a atual proposta do marco civil consegue “conciliar a liberdade com outros interesses”.

Eduardo Azeredo avalia que o marco civil “é uma iniciativa válida que, no entanto, não inviabiliza a existência de uma lei penal. São complementares”. Ele explica que o PL nº 84/99 fala sobre “combate a crimes como clonagem de cartões de crédito e celulares, invasão de sistemas e difusão de vírus. São crimes novos, que não estão previstos no nosso ordenamento jurídico”.

A atual proposta de marco civil da internet inclui guarda de registros de conexões (logs), porém preservando a privacidade dos usuários. A identificação só pode ser feita mediante ordem judicial. Ainda assim, o empreendedor Edson do Nascimento, conhecido como Mackeenzy, da empresa VideoLog, sente-se prejudicado pela manutenção dos registros. “O Ministério Público me obriga a manter logs de registro. Quando você trabalha com mais de 700 mil ou um milhão de usuários, tem um custo que inviabiliza o crescimento. Isso impacta profundamente no desenvolvimento criativo”, lamenta.

Criatividade, liberdade de escolha e neutralidade da rede

A liberdade criativa é uma das preocupações centrais do professor Sergio Amadeu, da Universidade Federal do ABC e representante pela sociedade civil no Comitê Gestor da Internet (CGI). Durante audiência pública realizada na Câmara dos Deputados no último dia 17, ele apontou que a criatividade pode ser restringida caso não se garanta a neutralidade da rede. “Como criariam o http? Como seria criado o Youtube? Se as operadoras pudessem filtrar o tráfego, não existiria isso ou seria de propriedade das operadoras”, exemplificou, imaginando um cenário de quebra de neutralidade da rede.

Para o professor, esse é um dos pontos que não deveria ficar para regulamentação posterior, como estabelece atualmente o artigo 3º do marco civil. “Se a gente submeter a neutralidade à regulamentação, vamos submeter a normas técnicas. A operadora pode dizer que, às 18h, não permite que baixem vídeos ou usem determinadas opções, porque teria que gastar mais, já que é uma hora com muitos acessos. Não podemos discutir conforme técnica, porque ela é afeita a vários tipos de interpretação. Nos Estados Unidos, já estamos tendo atraso no envio de dados”, disse Amadeu.

O secretário Marialvo de Castro Pereira defende que a neutralidade da rede é um tema enfrentado pelo marco civil, mas que “há situações em que por razões técnicas pode haver quebra da neutralidade e somente nesses casos ela poderia ocorrer. É residual a possibilidade, de acordo o texto atual, de não ter essa neutralidade”, afirmou. Guilherme Varella, advogado do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), também se mostrou preocupado com essa questão. Ele lembrou que ela “já é um direito, porque o Código de Defesa do Consumidor prega a liberdade de escolha, a não discriminação no mercado de consumo”.

Num cenário de não-neutralidade da rede, se uma empresa X é tanto provedora de conexão quanto produtora de conteúdo, ela pode degradar sua conexão caso você procure acessar conteúdos produzidos por outra empresa. “Nesse ambiente de concentração de mercado, vemos isso com muita preocupação. Por isso, a gente alerta os deputados que se coloque o princípio da neutralidade da rede sem qualquer regulamentação posterior, mas como principio no marco civil”, sugeriu Varella, durante a audiência pública da última terça-feira.

Segurança jurídica

Entre as fontes ouvidas pelo Observatório do Direito à Comunicação, prevalece a ideia de que o marco civil pode ser uma fonte de segurança jurídica para usuários e empreendedores. “A ausência de uma norma estava levando a uma séria de decisões do âmbito do Judiciário com dispositivos que não se comunicavam e que traziam insegurança e poderiam comprometer o dinamismo, novos negócios e criatividade na rede”, afirmou Marivaldo de Castro Pereira.

Durante a audiência pública do último dia 17, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI) defendeu que “devemos diminuir a intervenção do Judiciário, que tem desmoralizado essa casa. O Supremo tem dado golpes na constituição e nos poderes”. Como sugestão, Fonteles avaliou que talvez, no marco civil, devesse constar o que é penal, para evitar o que chamou de “fraude hermenêutica” que o Judiciário pratica.

Para o advogado Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas e relações governamentais do Google no Brasil, “o marco civil da internet estabelece a imprescindível segurança jurídica necessária para o crescimento da economia digital e da internet no Brasil”. Segundo ele, a iniciativa é apoiada pelo Google.

Além da regulação

Segundo dados do Ministério das Comunicações, compilados no documento “Brasil em alta velocidade” (2009), há um “gap de acesso” no país: 55,7% dos domicílios estão em condições geográficas ou de renda incapazes de atrair a oferta do serviço. Diante desse quadro, o advogado Guilherme Varella lembra que o consumo permeia os diversos momentos do uso da internet, desde o acesso a ela.

“Existe um problema que precede a questão trazida pelo marco civil, que é a própria disponibilidade do serviço de internet, muito falha. Existe uma falha grave no serviço de telecomunicação. A Anatel não dá conta de oferecer equilíbro, proteger os usuários e oferecer simetria de mercado. Isso dá espaço para abuso das empresas nesse segmento”, pontuou Varella, durante a audiência pública.

Para ele, a falta de acesso à internet no Brasil é uma questão que deve ser enfrentada almejando a universalização e a qualidade. “A universalização só será possível com o tratamento da banda larga como serviço essencial. Para isso, deveria servir o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o que, na prática, mostra-se com poucas chances de acontecer”, avaliou. De acordo com Varella, o marco civil tem um papel importante na definição da qualidade do serviço de internet, já que pode estabelecer normas consistentes.

Com relação à crítica feita pela Anatel, Varella afirmou ainda que “a falta de uma postura mais severa com as empresas que não se comprometem com a qualidade do serviço leva a casos sintomáticos, como o da empresa de banda larga que protestou contra os critérios de qualidade exigidos para o serviço”. O caso mencionado se refere ao pedido da Oi de cancelamento de metas de qualidade, o que desobrigaria as empresas a cumprir com a qualidade prometida em contrato. Para ele, isso mostra que o problema não se restringe à regulação.

Site: observatório do direito à comunicação

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

“Jornalista de verdade assume a sua identidade”

A FENAJ - Federação Nacional dos Jornalistas e os 31 sindicatos dos jornalistas no Brasil lançaram, no 18º Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação, a Campanha de autodeclaração racial "Jornalista de verdade assume a sua identidade". A iniciativa é assinada em conjunto com a EBC -- Empresa Brasil de Comunicação e tem o apoio da ONU Mulheres -- Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres.

Veja o vídeo:

Comunicação IJC

Camutuê debate o racismo no Brasil e a afrodescendência

O próximo encontro do Camutuê, que acontece nesta quarta-feira (29/02), debate o “racismo à brasileira”. A proposta deste, que é o quarto encontro, é observar como se dá o processo de cristalização das diferenças raciais, estudando os principais conceitos. A convidada desta edição do projeto é a Doutoranda em Educação pela UFC, Juliana Souza, que facilitará o momento.

Outro destaque do encontro será a oficina “Coisário ao Relicário”. A atividade, anunciada no último encontro, que convida os participantes a compreenderem que os valores afro-brasileiros estão presentes em nosso cotidiano, em toda parte. “Por isso, solicitamos que trouxessem um objeto que tenha relação com a afrodescedência na história de vida de cada um. O objeto e a história que ele carregar será o ponto de partida do nosso próximo encontro”, afirma o jornalista Rafael Mesquita, que elaborou a metodologia do encontro junto com a consultora do projeto, Silvia Maria Vieira dos Santos. “E não esqueçam, as influências africanas na formação social brasileira estão por toda parte. Vamos fazer, neste encontro, o exercício de percepção dos saberes e fazeres da população afro-brasileira”, completa Rafael.

Conheça a palestrante Juliana SouzaJuliana possui graduação em Pedagogia com habilitação em Orientação Educacional. Participou do Grupo de Estudos Africanos Segueremó, Casa das Áfricas-SP (2006-2007), concluiu mestrado em Educação pela Universidade Federal do Ceará (2010), atuou nos últimos oito anos como professora das séries iniciais do Ensino Fundamental I em escola que utiliza Sistema Montessori de Ensino. No mestrado pesquisou narrativas, memórias e histórias da população negra da cidade de Carapicuíba-SP, como estas influenciam no processo de formação da identidade e como as ausências dessas narratividades no que denominamos educação formal e informal atuam como um aparato de negação das identidades afro-brasileiras. Tem experiência na área de Educação com ênfase em identidades; afrodescendência; africanidades; movimentos sociais de maioria afrodescendente; educação escolar; e espaços periféricos urbanos.

Comunicação IJC

IJC aprova projeto no Programa Equidade Racial do Nordeste

O Instituto de Juventude Contemporânea (IJC), entidade que há 12 anos desenvolve ações que objetivam a superação das desigualdades que são impostas aos/as nossos/as jovens e à sociedade, aprovou o projeto “Caravanas das Crioulas – Na luta por igualdade” no edital do Programa de Equidade Racial no Nordeste Brasileiro, desenvolvido em ação conjunta pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Instituto Cultural Steve Biko e o Instituto Mídia Étnica (IME).

O Programa, cujo objetivo desenvolver ações efetivas que contribuam para mudanças estruturais no quadro de desigualdades da Região Nordeste, tem como principal foco o combate ao racismo e às desigualdades de gênero.

Foram selecionados 10 projetos de organizações que receberão apoio financeiro e acompanhamento para o desenvolvimento de ações no campo do fortalecimento institucional, sob coordenação da CESE; e 30 militantes, que participarão de curso de formação com o objetivo de qualificar suas atuações na luta pela equidade racial. Esta formação será coordenada pelo Instituto Mídia Étnica (IME) e o Instituto Cultural Steve Biko.
Conheça a Caravana das Crioulas
O objetivo do projeto é formar, em uma primeira etapa, 50 jovens mulheres, de 16 a 29 anos, negras, de cinco bairros (Bom Jardim, Mondubim, Barra do Ceará, Parque Dois Irmãos e Henrique Jorge) em participação juvenil, combate ao racismo e gênero. Na segunda etapa do projeto, as jovens formadas construirão uma campanha de mobilização e combate ao racismo que se chamará “Caranava das Crioulas”. Ao final do projeto, as jovens, a partir da mobilização empenhada, criarão o “Conselho das Jovens Dandara”, como o instrumento de formulação de políticas de combate ao racismo e fortalecimento da cultura afro-brasileira nos bairros onde acontecerá o projeto.

Comunicação IJC

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

História do movimento negro no Ceará é o tema do terceiro encontro do Camutuê

O terceiro encontro do projeto Camutuê – Comunicação Livre de Racismo vai discutir, na noite de hoje (14/02), na Casa Branca do Parque da Liberdade (Rua Pedro I s/n, Parque da Criança, Centro) a História do Movimento Negro no Ceará, com os pesquisadores William Augusto Pereira e Joelma Gentil do Nascimento.

William Augusto Pereira é graduado em Filosofia e Teologia e possui pós-graduação em Planejamento educacional. Atualmente é professor e pesquisador, com trabalhos nas questões raciais, e milita no Movimento Negro Brasileiro (MNU). Ele coordena a Associação Nação Iracema e é representante no Ceará da CONEN - Coordenação Nacional Entidades Negras.

Joelma Gentil do Nascimento também integra o MNU, como coordenadora municipal. É professora da rede pública municipal de Fortaleza, atualmente como Coordenadora Pedagógica da Rede. Possui graduação em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira e pós-graduação em Lingüística Aplicada.
Sobre o Camutuê

O Camutuê é curso dirigido a profissionais e estudantes de comunicação, focado na temática raça e etnia. O objetivo da formação é incentivar a construção de uma abordagem positiva da história dos afrodescendentes no Brasil e atuar no combate ao racismo.

O projeto recebe certificação universitária pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e é fruto da parceria do Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) com a Brazil Foundation e a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. O projeto conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Canal Futura.

Comunicação IJC

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

2° encontro traz pesquisas sobre a presença da população negra no Ceará

O segundo encontro do projeto Camutuê – Comunicação Livre de Racismo, realizado no dia 25 de janeiro, discutiu o tema “Existem negros no Ceará?”. A atividade contou com a participação dos professores Hilário Ferreira, mestre em História pela UFC, e Rosa Ribeiro, doutora em educação pela Unicamp.

Hilário e Rosa são precursores da pesquisa e ensino de africanidades no estado do Ceará, especialmente a história das populações negras, através do Grucon – Grupo de Consciência Negra no Ceará, criado na década de 1990 por estudantes e militantes. Os professores afirmaram que a evolução dos estudos sobre a presença do negro no Ceará acontece em 1995, com aparecimento de cursos e publicações influenciados pelo grupo. Com o resultado dessas pesquisas, descobriram que houve uma tentativa, ao longo da história e na própria universidade, de negar a presença do negro no estado. “Foi construída uma representação, por meio de discursos e políticas, construídas ao longo da história do Ceará, na perspectiva de produzir conteúdos mentais da negação do negro”, afirma Rosa.

“A história do negro no Ceará se limitava aos temas escravidão e abolição e, depois de passado o período colonial, negou-se a presença da população negra no estado, justificando que não havia espaço para a mão-de-obra desses”, explica Hilário.

Os primeiros registros da presença do negro estão nas pesquisas produzidas pelo historiador cearense Geraldo da Silva Nobre, que, por pertencer a grupos vistos como conservadores, enquanto associados do Instituto do Ceará, foi recusado como fonte pelos teóricos contemporâneos cearenses e seus registros não foram levados em conta na afirmação da história da população afro-descendente no Estado. De fato, o Instituo do Ceará foi o responsável, através de seus representantes, de denegar a presença do negro. Enquanto exceção, Nobre abriu o precedente para as pesquisas do Grucon, que buscou nos registros do censo da época, pós-abolição, indicativos da população negra cearense. Segundo os dados, os negros no Estado seriam majoritariamente composto por descendentes de congoleses e angolanos, o que fazia predominar as línguas banto e kibundo. Segundo Hilário, “o censo de 1804 mostra um número de negros superior ao de brancos no Estado em muitas vilas, especialmente de negros libertos. Fortaleza figurava no século XIX, portanto, como marcadamente de cultura afro-angolana”.

O positivismo e o darwinismo eram as escolas de pensamento que influenciaram os historiadores da época, que aplicavam idéias de eugenia (ideologia de embranquecimento ou de pureza racial, que culminou no Holocausto), inclusive negando a factual presença negra. “Nós fomos oprimidos até na nossa própria história”, destaca Rosa. Para a professora, deixar de ser preconceituoso significa reconhecer e, posteriormente, trabalhar para o fim dessas atitudes. Ela explica que os profissionais de educação, assim como os historiadores que revisitaram a História Oficial do Ceará para contá-la novamente e provar a presença do negro, precisam atuar contra o racismo e a opressão impostos a população negra. “Quando não assumimos que temos preconceito, estamos escamoteando a verdade”, enfatiza.

A coordenadora pedagógica do projeto, Silvia Maria Vieira, alega que o encontro foi importantíssimo para o entendimento pelos profissionais de mídia participantes do curso de como se deu a presença da população negra no Ceará e seus registros de descendência. Além disso, ela lembra que é necessário assumirmos o combate ao preconceito como uma responsabilidade profissional. “A consciência negra e a afirmação da presença negra no estado é um compromisso de todos, especialmente da escola, da família e dos espaços de formação de opinião, sendo para os profissionais que atuam na comunicação uma exigência de seus códigos de ética laborais”, enfatiza Silvia.

Tráfico interno
Outro aspecto que marcou a presença da população negra no Ceará foi o tráfico interno de escravos, a partir das transações realizadas notadamente com o sudeste, elemento importante para economia da época, segundo o professor Hilário Ferreira.
Esse também será o tema do livro que Hilário lançará no dia 21 de março, no Museu do Ceará, chamado de “Catarina, minha nega, tão querendo te vender”, fruto de dissertação de mestrado.

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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

“O racismo é um problema de toda a sociedade e um crime antidemocrático”


IJC abre curso de extensão sobre raça e etnia para profissionais da comunicação com palestra do professor Júlio Cesar Tavares, da UFF

O primeiro encontro do projeto “Camutuê – Comunicação Livre de Racismo” lotou a sala dois do Vila das Artes com a palestra do professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), Júlio Cesar Tavares.

Doutor em Antropologia pela Universidade de Austin – Texas e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, Júlio Cesar, desenvolve pesquisas sobre Mídia e Etnicidade. No evento, ele apresentou os elementos que formam o racismo na sociedade e na comunicação brasileira. Segundo o professor, a colonização acabou, mas não estruturalmente. Para ele, o Brasil ainda vive o que chama de colonialidade, entendendo que o racismo, antes de um elemento cultural, aparece de forma estrutural em todas as esferas de organização do nosso povo. “As sombras da escravidão não foram superadas e o racismo deve ser visto como um equipamento da colonização que se consolidou e persiste. Nossa máquina psicológica e cognitiva é essencialmente colonial”, completa Tavares.

Para o professor, a característica colonialista também aparece na comunicação justamente porque nossos profissionais não ultrapassam o modelo de representação comum à sociedade, ou seja, racista. Segundo ele, o profissional de comunicação trabalha a representação da sociedade, a qual é de responsabilidade dele apresentar enquanto notícia, peça publicitária ou fotografia, de forma “mecânica e utilitária”. “Os jornalistas são responsáveis por criar na cabeça do leitor uma realidade, mas essa realidade representada é contaminada pela blindagem cognitiva que ele apanhou na coletividade, que nos chega através de conceitos, muitas vezes colonialistas”, explica.

O pesquisador entende como saída o investimento em várias esferas, especialmente no campo das políticas de ação afirmativa. O desafio inicial seria considerar o racismo como um problema da democracia. “O racismo é corrupção, porque corrompe a ordem democrática. É preciso radicalizar a democracia brasileira e entender que o racismo é um problema de toda a sociedade e um crime antidemocrático”, enfatiza. E esta é para ele uma responsabilidade principalmente do profissional de comunicação, pois é ele que vai levar isso para a população, enquanto formador de opinião.

Muito elogiado pelos presentes, Júlio Cesar falou com os profissionais e estudantes de comunicação participantes do curso por cerca de duas horas, que permaneceram no local até o fim da apresentação, que terminou depois das 22 horas.

Entenda o Camutuê
O curso de extensão universitária, com certificado fornecido pela Universidade Estadual do Ceará, é realizado pelo Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) e tem o objetivo incentivar a formação de profissionais e estudantes de comunicação para a temática das relações étnico-raciais. Os encontros acontecem entre janeiro e junho de 2012, em módulos quinzenais divididos em três grandes temáticas: “Modos de Ver”, “Modos de Interagir” e “Modos de Comunicar”.

O projeto é financiado pelo Plano de Ação Conjunto Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER (em inglês), fruto da parceria da Brazil Foundation com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Canal Futura.

Os textos do professor e indicações de publicações na temática serão disponibilizadas pelo IJC no blog do projeto: www.camutue.blogspot.com.

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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Formações do projeto Camutuê começam nesta quarta (11/01)

Curso de raça e etnia para profissionais da comunicação recebe o professor Júlio Cesar Tavares, da UFF

O Instituto de Juventude Contemporânea (IJC) dá início às formações do projeto “Camutuê – Comunicação Livre de Racismo”, curso de raça e etnia para profissionais da comunicação, que traz como primeiro formador o Profº Julio Cesar Tavares, da Universidade Federal Fluminense (UFF). O evento será realizado no dia 11 de janeiro, no Vila das Artes, a partir das 18h30.

Júlio Cesar, que é Doutor em Antropologia pela Universidade de Austin – Texas e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, desenvolve pesquisas sobre Mídia e Etnicidade e no evento tratará da temática slogan do nosso curso: Comunicação Livre de Racismo.

Entenda o curso
O Camutuê tem como objetivo incentivar a formação de profissionais e estudantes de comunicação para a temática das relações étnico-raciais, na tentativa de construir uma abordagem positiva da história dos afrodescendentes no Brasil e atuar no combate ao racismo.

O projeto será realizado entre janeiro e junho de 2012, em módulos quinzenais divididos em três grandes temáticas – “Modos de Ver”, “Modos de Interagir” e “Modos de Comunicar”.

Na etapa “Modos de Ver”, trabalhará o ser negro cearense, o movimento negro e a imprensa negra, a construção do racismo no Brasil, as políticas públicas, entre outras temáticas. Na segunda etapa, chamada “Modos de Interagir”, será abordado os meios de comunicação e a sociedade, a mídia pró-ativa e será realizada uma feira de mídia étnica. Já na última etapa, que se intitula “Modos de Comunicar”, os cursistas realizarão o acompanhamento dos meios de comunicação e suas coberturas acerca das questões étnico-raciais, assim como discutirão a elaboração de um projeto em comunicação a partir do que foi discutido e vivido no curso. Este trabalho será pré-requisito para o recebimento do certificado de conclusão.

Selecionados
Os selecionados do curso são formados 75% por negros (pretos e pardos) e 60% de profissionais. O IJC recebeu mais de 120 inscrições de profissionais e estudantes de diversos empresas e universidades do Ceará. As inscrições ocorreram entre novembro e dezembro de 2011 e ao todo foram 50 pessoas selecionadas. O critério de seleção foi prioritariamente voltado para profissionais e pessoas negras, sendo ainda abertas 10 vagas adicionais.

Parcerias
O curso de extensão universitária, com certificado fornecido pela Universidade Estadual do Ceará, é a primeira capacitação técnica no estado dirigida a comunicação e etnicidade. Para a consultora do projeto, Silvia Maria Vieira, “somos privilegiados, pois somos pioneiros na formação profissional em raça e etnia para publicitários, jornalistas, radialistas e outros profissionais da comunicação. Queremos romper com esse universo que criminaliza e repudia a população negra no Ceará, criando um novo modelo de comunicação, livre de racismo”, destaca.

O projeto é financiado pelo Plano de Ação Conjunto Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER (em inglês), fruto da parceria da Brazil Foundation com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e conta com o apoio da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Governo Federal (SEPPIR), do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e do Canal Futura.

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