quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lançamento do Camutuê debaterá Relações raciais na mídia e apresentará história em quadrinhos

Os processos comunicacionais e as relações raciais praticadas na mídia brasileira são objetos de debate do lançamento do Curso de raça e etnia para profissionais da comunicação "Camutuê - Comunicação Livre de racismo". O evento acontece no dia 24 de Novembro, às 18h30, no auditório do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC) – Av. da Universidade, 2346, Benfica –, com palestra do pesquisador Júlio Cesar Tavares, Doutor em Antropologia e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), e lançamento da história em quadrinhos "Procura-se Mombaça", da professora Silvia Maria Vieira dos Santos.

O curso tem o objetivo de formar 40 profissionais da comunicação, entre eles, jornalistas, publicitários, radialistas, relações públicas, comunicadores populares e estudantes de comunicação social para a temática raça e etnia e, através de parceria com a Universidade Estadual do Ceará – UECE, oferecerá certificação na modalidade extensão universitária. As formações do projeto serão realizadas em 10 encontros formativos quinzenais e em um seminário, por período de 6 meses (entre janeiro e junho de 2012).

O convidado para o lançamento, o professor e pesquisador Júlio Cesar Tavares, Doutor em Antropologia pela Universidade de Austin – Texas e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF), desenvolve pesquisa sobre Mídia e Etnicidade e no evento apresentará a palestra “Comunicação Livre de Racismo”. O pesquisador fala que existem três formas predominantes de representações estereotipadas da população afro-descendente na mídia brasileira, sendo elas a imagem do negro passivo, sexualizado ou figura religiosa; a segunda, relacionada à violência, criminalidade, revolta e marginalidade e a terceira, e mais atual, como sujeito solitário que habita um universo essencialmente branco, "perdidamente 'encaixado' num ideário embranquecido", completa o professor. O pesquisador entende que "a estigmatização a que foi submetida a população afro-descendente no Brasil foi fundamentalmente importante para legitimar sua exclusão midiática, que, em termos mais amplos, significaria invisibilidade e não-reconhecimento, já que reconhecemos os meios, veículos e tecnologias de comunicação como as únicas esferas capazes, hoje, de possibilitar reconhecimento e, por extensão, visibilidade", afirma Tavares.

O Camutuê é uma iniciativa da ONG Instituto de Juventude Contemporânea (IJC), com financiamento do Plano de Ação Conjunto Brasil-Estados Unidos para a Promoção da Igualdade Racial e Étnica – JAPER (em inglês), fruto da parceria da Brazil Foundation com a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, e conta com o apoio do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Ceará (Adufc), da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Cultura de Fortaleza, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado do Ceará, da Universidade Federal do Ceará (UFC), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará (Sindjorce), do Canal Futura, da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e da Associação Cearense de Imprensa (ACI).

“Procura-se Mombaça”:
O IJC lançará também história em quadrinhos fruto das experiências com a dissertação de mestrado “Africanidades e Juventudes: tecendo conceitos numa pesquisa sociopoética”, escrita pela professora de História, especialista em juventude e mestre em Educação Brasileira pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Sílvia Maria Vieira dos Santos.

O texto, publicação oficial do projeto Odara, que trabalhou ações afirmativas e prevenção em seis escolas da rede estadual de ensino do Ceará, é uma aventura criada a partir das discussões sobre relações étnico-raciais com jovens ligados ao candomblé e integrantes do movimento negro. Na publicação, acompanhamos a trajetória dos jovens Luanda e Zé, que, vitimas de preconceito racial, descobrem suas matrizes culturais africana, numa viagem mágica. "A história que apresentamos reflete o mergulho na estética negra, a partir do momento que vê que ser negro não é ser diferente e que valores de diferenciação negativa entre raças podem ser quebrados a partir de um processo de ressignificação da imagem do negro", afirma a autora, Silvia Maria. A publicação será distribuída gratuitamente para os presentes no evento.

Inscrições:
Profissionais de comunicação têm até 13 de dezembro para inscrever-se no curso "Camutuê – Comunicação Livre de Racismo". Para participar, basta preencher formulário eletrônico disponível no blog: www.camutue.blogspot.com e aguardar resultado de seleção, previsto para 16 de dezembro.

Serviço:
Lançamento do "Camutuê - Comunicação LIvre de racismo"
Palestra com o professor Júlio Cesar Tavares (UFF)
Dia 24/11 (quinta-feira)
Horário: 18h30
Local: Auditório da Adufc. Avenida da Universidade, 2346. Entrada gratuita.

Comunicação IJC
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